Na manhã do último domingo, 03 de maio, Alessandra T. Santos e Ricardo Greggo, membros da ONG Cuesta Viva, realizaram um registro inédito para a região de Botucatu. Por volta das 8h da manhã, no entorno da Unidade de Conservação Cachoeira da Marta, os observadores avistaram uma ave de rapina considerada rara para a região da Cuesta Paulista.
A identificação foi confirmada pelo pesquisador e especialista em aves Victor Antonelli. A ave registrada era um falcão Cauré, espécie com ampla distribuição no estado de São Paulo, mas nunca registrada em Botucatu.
Segundo Victor, este pode ser o primeiro registro documentado do Cauré em toda região da Cuesta de Botucatu, o que torna a observação especialmente relevante para o conhecimento da avifauna local.
“Fiquei muito feliz em participar deste registro inédito. Quando vi o falcão pela primeira vez não imaginava que era um Cauré, apenas percebi que era diferente dos outros que já tinha registrado. Quando o Ricardo me enviou as imagens, logo mandei mensagem para o Victor, que prontamente ajudou na identificação e nos deu a maravilhosa notícia”, relata Alessandra T. Santos.

Ciência cidadã fortalece o conhecimento sobre a biodiversidade
O registro também chama atenção para a importância da ciência cidadã na produção de conhecimento sobre a biodiversidade brasileira. A prática, que une observadores da natureza, pesquisadores e universidades, têm contribuído cada vez mais para o monitoramento de espécies e geração de dados ambientais.
Em Botucatu, a Universidade Estadual Paulista tem papel fundamental nesse processo. Por meio das pesquisas desenvolvidas pela Faculdade de Ciências Agronômicas (FCA) e pelo Instituto de Biociências (IB), a universidade pública produz conhecimento científico acessível à população e contribui diretamente para a preservação da biodiversidade da Cuesta Paulista.
A integração entre comunidade e universidade também tem impulsionado o turismo de observação de aves na região, segmento que cresce no Brasil e movimenta ações voltadas à educação ambiental, conservação e valorização dos patrimônios naturais.
Observação de aves aproxima pessoas da natureza
A observação de aves vem ganhando espaço como ferramenta de conexão com a natureza e sensibilização ambiental. Integrantes da Cuesta Viva destacam que a prática contribui para ampliar o olhar da população sobre a biodiversidade existente na região da Cuesta Paulista.
Segundo Alessandra, o interesse pela observação de aves começou após o contato com o guia de identificação Aves de Botucatu, presenteado à organização pela professora Silvia Nishida. Desde então, a prática passou a contribuir também para o aprendizado sobre a flora regional e as relações ecológicas entre as espécies.
A observação da alimentação das aves, dos frutos consumidos e das árvores utilizadas pelas espécies permitiu ampliar a compreensão sobre a importância da vegetação nativa para manutenção da avifauna local.
Conservação é essencial para novas descobertas
A Cuesta Paulista é considerada uma das regiões mais importantes do interior do estado de São Paulo em termos de biodiversidade. A presença de áreas de Mata Atlântica, Cerrado e ecossistemas de transição favorece a ocorrência de uma grande variedade de espécies da fauna e flora brasileira.
Para a Cuesta Viva, registros como o do Cauré reforçam a necessidade de conservar os ambientes naturais da região. Além da relevância ecológica, a preservação desses territórios também contribui para pesquisas científicas, educação ambiental e fortalecimento do turismo de natureza.
A descoberta demonstra que a região ainda possui espécies pouco conhecidas e reforça a importância da participação da sociedade na valorização e proteção da biodiversidade local.